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"Aprende-se a escrever, lendo. E também é necessária uma grande humildade face ao material da escrita. É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros."
António Lobo Antunes

Wednesday, 3 November 2010

E esta é a verdade.

Sou um tudo com nada, vazio e oco por dentro. Levas-me contigo cada vez que partes e como eu queria que jamais partisses. Como eu queria que me abracasses todos os dias, que me beijasses todos os dias, como eu queria. Ver-te sorrir todos os dias, partilhar momentos, sentimentos, uma vida. Quando eu me fecho para o mundo, tu entras de alguma maneira. Encontras-me, sempre. Quando eu perco o meu sorriso tu devolves-mo. Quando temos alguém na nossa vida que sonha tão grande quanto nós, que sonha de olhos abertos como nós, que planeia cada detalhe da concretização dos sonhos connosco, que nos leva ao colo e nos tira o peso do mundo dos ombros...
Quando temos alguém assim na nossa vida, devemos abraçá-lo forte, bem forte, e dizer-lhe baixinho, em cada minuto, por cada sorriso, por cada sonho, por cada momento de amor, o quanto gostamos dessa pessoa, o quanto nos faz feliz e o quanto queremos senti-la feliz sempre. Tu és essa pessoa.Consegues sempre encontrar a melhor maneira de me fazer sorrir. Sabes as palavras certas, o toque certo, a música certa,os mimos que me derretem e todos os detalhes de mim. Quando o mundo adormece, as luzes se apagam e a vida serena... somos só nós. No nosso mundo, de mãos dadas, com os nossos planos, as nossas ideias, as nossas histórias e o nosso amor. o de sempre.

Saturday, 25 September 2010

E respiro

Respiro
E viaja o ar pela garganta
No seu movimento cíclico —
Vaivém no centro do crânio.

Respiro
E no pêndulo do peito
Dentro fora, dentro fora —
Hesita-me a vida por instantes.

Inspiro
E
Penso
Se bastará este passo inato
Para tornar a carne viva
Humana e pessoal…

Expiro
E
Esqueço
Este intervalo da existência
Da dúvida que escurece o dia —
Claramente, limito-me a viver

E respiro.

Se todo o ser

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus, em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.


Sophia de Mello Breyner Andresen, "Se todo o ser", Obra Poética I (Editorial Caminho, 1998) 59.

Tuesday, 7 September 2010

Gostava de te mostrar
o meu labiríntico arvoredo ou
a sinfonia dos meus canteiros;
levar-te ligeiro pela mão
numa manhã deslumbrada de sol
— vês? — aqui, a gravidade das camélias
ali, os pirilampos, infinitos.
Haveria poços e covis de lobos
(portas inteiras de escuridão sonora)
mas também tulipas e girassóis
e rios, entornados em cascata,
e as folhas todas de doce vento.
Gostava de te mostrar
o meu jardim de dentro
(pétalas e pássaros, odoríferos, habitando
a nudez cava dos troncos)
gostava — mas uivam os lobos —
— tu assustas-te

Um

Olho para o lado e sorrio. Sorrio porque a lua olha sempre por mim.
Hoje sou grande, sinto-me grande! Invento argumentos, construo cenários, vejo sorrisos e imaginos diálogos. Desenho noites onde a lua nos ilumina, silêncios cumplices de almofada para almofada depois de madrugadas em lençois desalinhados. A realidade ri-se de mim, pois sabe que a perfeiçao que eu idealizo nunca se tornará real. Aprendi que os meus sonhos vivem dentro dos livros, dentro das músicas, dentro dos filmes que me fazem sonhar. E ai fico porque apesar de tudo acredito que o ultimo amor é aquele que vivemos com mais intensidade, paixão e cumplicidade e que queremos que dure a vida inteira. Eu acredito que ainda existem amores assim, arrebatadores mas nunca perfeitos.

Sunday, 22 August 2010

Provérbios

Sento-me á janela. Não existe nada lá fora, está tudo escuro. Não vejo a hora de tudo passar. Canso-me de chorar por razões que não explico á minha alma, não explico a ninguém. Eu bem tento fazer-me ouvir. Sento-me na esperança de que o meu silêncio se faça ouvir. Canso-me, mato-me e renasço. Vezes sem conta. A história repete-se como um ciclo vicioso que me mata aos poucos, que me consome. Tudo acabará, não me sinto viva. Tudo em mim morre, tudo em mim morreu. Sou um corpo sem alma, sem vida. Estagnada neste mundo de estigmas, personalidades criadas por uma sociedade que caminha para o seu próprio declino. Sento-me e aguardo. A agua que venha e purifique o meu corpo, a minha alma, pois nela já nada reside. Cego,a unica coisa que vejo é a escuridao.
Nada me anima, nada me alegra. A dor corroi e faz-me companhia, dorme comigo e acorda comigo. Não me abandona, apenas me desfaz aos poucos.



Provérbios 14:13 - Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza.

Tuesday, 27 July 2010

Chora

Chora. Sozinha com a escuridão a fazer-te companhia! Chora enquanto escreves porque assim desabafas!
Por isso chora, porque pelo menos assim alivias a dor que tem incomoda.

Thursday, 22 July 2010

Caio mais uma vez.

Faço-me e desfaço-me em lágrimas cravadas no meu coração, apenas imploro por um só dia de sossego.Não sou forte. Todos comentam a minha vida, dão a sua opinião e devo fazer o que tem de ser feito. A minha vida está em jogo, mas e a dor? Porque ninguém a comenta?
Certamente porque não a conhecem, falamos de dores diferentes certamente.
Faz-se silêncio, este silêncio que sabe a mel ajuda-me a evocar a ajuda que necessito, o mais engraçado é que grito desesperadamente em silencio e ninguém me ouve. Cada um tem o seu umbigo para se preocupar, para quê ajudar a levantar quando podemos deitar mais a baixo? Levantamos num dia, deitamos abaixo no outro. Enfim. Sonhemos então, um sonho cheio de rosas trepadeiras com picos, trepamos mesmo sabendo que nos iremos picar. Metáforas maliciosas que nos fazem pensar duas vezes, como atitudes que nos levam a pensar no futuro. Tudo acontece, não estamos a brincar para termos provas de amor pois é da minha vida que se fala, e tu, pouco pareces saber sobre ela. Alegre-se o teu ser por todo o dia permaneceres no meu pensamento.
Muitas das vezes preferia um estalo, uma dor física em vez da dor emocional que carrego no meu peito, por isso sangro e a minha pele corroí-se com tanta emoção ao mesmo tempo. Hoje chorarei até dormir, mas amanha serei a lembrança do exemplo de mulher que te dou. Eu mesma.

Desamparada caio mais uma vez.

Saturday, 10 July 2010

(8



pelas coisas mais simples. pelos olhares mais cúmplices. pelas palavras em silêncio. pela força das mãos dadas. pelos dias imensos de sorrisos. pelas músicas na expectativas de um erro, por estares aqui, pelas cocegas/beijinhos no pescoço, por me fazeres tão feliz. És tu.

Friday, 9 July 2010

Yes,

"I decided, very early on, just to accept life unconditionally; I never expected it to do anything special for me, yet I seemed to accomplish far more than I had ever hoped.
Most of the time it just happened to me without my ever seeking it."

Audrey Hepburn


Monday, 14 June 2010

Livro na estante

Não será só uma estante, recheada de livros. Cada livro terá o seu cheiro próprio, cada livro trará a sua história e nós uma história a esse livro daremos. Será construída aos poucos, livros antigos, livros actuais, livros de todas as línguas, livros de todos os géneros! Cada livro será único, quando olharmos para ele saberemos o porquê de o termos comprado e o significado que têm para nós.
Ultimamente deixei os meus livros "banais" e concentro-me só num. Medo de Viver. Escrito por um autor cujo talento ainda está por ser descoberto, mas o seu bom gosto pela escrita revela-se no seu manuseamento da língua portuguesa. Contrói o seu próprio vocabulário, revela a sua maneira de escrever única numa perdição de encontros e desencontros, amores e desamores, histórias de uma vida exaltada por um jovem que desde novo soube que a escrita seria a sua porta para fugir a uma realidade, por vezes, menos feliz. Agarrando á caneta e ao papel, tendo sempre um banco de jardim ou o seu jardim, o jovem surpreende-nos com um livro que só os de mente e coração aberto entenderão. Com um final entre-aberto o jovem conta-nos um pouco de si e o medo que sente de viver, o medo que no final do livro entendemos que todos temos presentes nas nossas escolhas.
Espero que um dia tenham o prazer de ler o livro que tive a oportunidade de ler, Medo de Viver, talvez um dia nas bancas. Mas desde já vos digo, será o primeiro na nossa estante.


P.S. Espero pelo próximo livro, e que nele o titulo seja: "Alegria de Viver"

Tuesday, 25 May 2010

Sunshine?

Chego a casa, mais um dia, encontro-me sozinha. Olho para um lado, olho para o outro e não vejo nada. Sinto tudo, não vejo nada. Estou cega, perdida nesta infinita loucura de prazer, amor e devoção. Só a escrita me ajuda, só ela conhece os meus segredos, os meus planos, desejos e devaneios. Contudo, sinto-me bem! Não me sinto triste, estou longe de casa, longe de todos os que me querem bem, só isso custa, corrói dentro do meu peito. Nunca pensei sentir-me bem, apesar de tudo, todas as ambiguidades da vida ajudam-nos a construir algo maior, é para isso que cá estou. Que vai ser de mim quando não estiveres cá? Pobre alma a minha, que vai sofrer quando reparar que partiste, para a aventura da vida! Quero acompanhar cada passo teu, cada aventura, em cada momento estarei na primeira fila a aplaudir-te! Se soubesses o orgulho que sinto em ti, a insegurança nunca te acompanharia! Não olhes para trás, acompanha-me sem pensares duas vezes, o Verão está ai á porta! E nada vai saber melhor do que descansar contigo, sonhar, e viver um dos melhores Verões de toda a minha vida... Para o ano tudo será diferente, aproveitamos este como se não houvesse amanhã, aceitas?



The sun is on my side
And take me for a ride
I smile up to the sky
I know I'll be all right

Monday, 17 May 2010

Cansada.

Mais um dia, de puro cansaço. Sentada no canto de sala onde bate sempre o sol, sozinha no meio de demasiada gente canso-me. Esta rotina que não pareçe ter fim já não puxa por mim, so insiste em que me deixe ir com a corrente. Sonho, durmo, idealizo, perco-me e pergunto-me com o que ando a sonhar, o que ando a fazer. Não entendo o sentido de um dia-a-dia sem sentido, escuro e sombrio. Os meus olhos pesam como se neles pesassem todos os males do mundo, vermelhos do cansaço, tento mantê-los abertos nem que seja por mais um pouco, mas a vontade é pouca e o mundo não ajuda a querer mantê-los abertos. Foi um dia banal como tantos outros, nada de novo, tudo igual. Nada de excitante, nada de divertimento apenas o aborrecimento de mãos dadas com o cansaço me fazem companhia. Ainda ontem cheguei e já sinto falta de casa. Falta da minha gente, da minha cidade, dos meus lençois. Não pertenço aqui, nunca pertenci. Só estou aqui a tentar construir os alicerces para a minha vida, um futuro para construir tudo o que quero. Por cá fico, apenas espero algo novo, radioso que me impulsione a ter vontade de algo mais. Mas estou sozinha, completamente sozinha.

Vou partir para um mundo onde não sinto cansaço, o meu mundo, o mundo dos sonhos.

Monday, 10 May 2010

Dream to nightmare

Não nos vale de nada, chorar por sonhos que sabemos que nunca passaram para a realidade. Por isso se chamam sonhos, não vale a pena culparmos a disney ou a cinderela por ela ter um príncipe encantado e saber que vai ser feliz para sempre quando nós não sabemos o nosso amanha. É claro que é mais fácil sonharmos e viver na esperança de que eles se tornarão reais, mas quer dizer, são sonhos. Nunca deixaram de ser, aliás se soubéssemos que os sonhos se tornariam reais, que piada teria em sonharmos? Nenhuma. Sabe bem sonhar, mas sabe melhor vivermos a nossa realidade sabendo que sonhos são sonhos, e que ninguém nos tira. São nossos, só nos os sonhamos, só nós sabemos o que eles significam, só nós sabemos o porquê de os querermos viver na vida real. Quando sonhamos, não existem limites, rasgamos o infinito, pintamos das cores que queremos, vivemos e sentimos como se da realidade se tratasse. Eu já não sonho. O meu sub-consciente não voa para os sonhos, constroi-se nos pesadelos onde acordo assustada. Em vez de sonhar que estou num paraíso, encontro-me num deserto de boca seca e lábios colados não grito nem falo, só espero por ti que me beijes, que esta secura desapareça e quando acordar que ao meu lado sonhes.

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Dream more while you are awake.

Monday, 19 April 2010

-nt

Esta semana que passou, foi o meu aniversário. Entrei na casa dos -nt e dela ja não saio. No dia 13 de Abril, pelas 13.40 tinha acabado de vir mais uma louca para este mundo de doidos. Não foi como o dia normal de aniversário do resto desse mundo, nao houve bolo, nem festa, nem familia á volta. Estive longe de tudo isso e isso custou. Mas costuma-se dizer que quando temos amigos tudo parece mais fácil, e é verdade.
Bem, toda a gente sabe que eu sou uma Maria Madalena seja qual for a surpresa, seja qual for o filme, seja qual for a situação. Tudo o que recebi nesse dia, todas as mensagem, video "with love from me to you", 10 + 10 coisas que gosto em ti. Não tenho palavras, a melhor prenda que podia ter recebido foi a que não imaginei receber, sentir-me em casa, saber que tenho amigos, que posso contar com eles e mesmo longe eles ainda me tem no pensamento e no coração.A minha mãe ligou-me ás 23.59h para ser mesmo a primeira, a tia e o tio colocaram happy birthday á 00.08, o Quim e a zé foram o serviço despertar, os avos nao esqueçeram. O melhor? Com a lágrima ao canto do olho, digo, o melhor foi sentir o amor, carinho e sentir-me mais perto de casa e mais perto de todos aqueles que tenho saudades.





"Um dia digo o quanto me senti especial"

Monday, 5 April 2010

Exaltei aos céus

Exaltei aos céus
com lágrimas e pranto
o quanto preciso do teu corpo humano

o céu assustado
a mim te devolveu.
Pertencemos um ao outro
foi o que o ele percebeu

Felizes remamos
para o mesmo lado
a dois percebemos
o que nos está destinado

Um destino macabro
com receios e suspiros
mas onde o final do dia
acaba sempre em (so)risos

Agradeço aos céus
ajuda que ele nos deu
Agora so quero amar, descansar e ter os meus.

Wednesday, 24 March 2010

Esta sociedade não chega, temos o mundo ao contrário.

Não sei o que se passa com este mundo, sinceramente não sei. No tempo da minha avó (pelo que ela me conta) as coisas não eram assim. Podiamos passar na passadeira que os carros paravam. Agora? Temos quase que nos colocar á frente deles para atravessarmos para o outro lado da rua. E o mediatismo? Cada vez mais todos querem subir à custa de alguém, eu pergunto, onde está o orgulho e o mero próprio? Numa sociedade que supostamente deveria ser governada por esqueda, vê-se mais a direita. O que é meu é meu e não se dá nada a ninguém. O senhor está a pedir comida? Ora, vá trabalhar! (já assisti a inúmeros episódios assim, onde as pessoas nem pensam duas vezes). Os miúdos já não brincam na rua porque tem playstation ou porque os pais têem medo que algo aconteça. Eu brinquei na rua e esses são os momentos que mais gosto de recordar. Mãezinhas e paizinhos que possam eventualmente estar a ler este blog, deixem os meninos esticarem as pernas, um dia eles vão ser pais como vocês e certamente quererão ter algo mais para contar aos filhos do que " o pai quando era novo passava as tarde a jogar playstation". Não existe noticia que não tenha drama. Assalto, desemprego, crise, impostos, desemprego, crise. Onde está a fé e a esperança que algo mude? Onde está a vontade de mudar?

Esta sociedade nao nos chega, temos o mundo ao contrário.

Monday, 15 March 2010

Calei-me

"Shiu não abras a boca" responde o meu cérebro quando eu me questionei sobre o que haveria de dizer, como ele disse para eu não falar, eu não abri a boca. Limitei-me ao "hum hum" e "já percebi". Calei-me, a minha garganta secou, como se tivesse perdida num deserto á 3 dias e não encontra-se água em nenhum lado. Ao meu redor nao vejo nada nem ninguém, estou sozinha. Continuas, nem para respirar paraste, nem para pensar, tudo o que veio á boca saiu "sem conta nem medida". Está feito, tudo o que querias dizer, disseste-o. Não há nada a fazer, nada a remediar. Desabafo, foi o que lhe chamaste. Esqueceste-te daquela parte " O que achas?". Está dito, está registado, estão feitos os teus planos. Não consigo contê-las, elas fogem-me pelo rosto abaixo, uma a uma, não sei o que pensar, não sei como desenhar os meus planos. Contudo, tudo não passa de um desabafo.

Just Breath - Pearl Jam

Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
And I come clean, ah...

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me til I die
Meet you on the other side...

Monday, 22 February 2010

Aqui te Guardo

Deleito-me sobre os lençois onde ainda pesa o teu cheiro. Agarro-me aquilo que posso para que a tua partida nao seja penosa. Nao durmo, 05.02 marca o relógio e nem um bocejar de sono se encontra em mim. Esta cama, é um berço onde nasceram sonhos, fizeram-se planos, construiram-se listas e esboços de sonhos e devaneios. Nossos. O que neste berço se esconde fomos nós que criámos, que idealizámos com inocência e amor. Não existe nada mais puro.
A chuva que oiço a bater no varandine arrasta o vento que bate violentamente no estoro, parecem nao terem gostado da tua partida. Desde que partiste que nao param. Deixas rastos, vestigios para que me lembre de ti, marcas o teu espaço e tornas-o um pouco teu, tornando-o nosso. Não sou perfeita, e com tristeza digo isto, todas as almas querem ser perfeitas. A minha alma ainda nao cresceu, por isso ainda riu de banalidades futéis e sem sentido, mas que para mim teem um sabor diferente. Não sou aquilo que sonhaste, tornar-me-ei naquilo que idealizamos, que eu também idealizo. Eu nao pertenço aqui, esta gente nao me conheçe, os cafes e as risadas nao teem o verdadeiro gosto de quando me encontro em casa, entre os meus. Esta nao é a minha casa, a unica coisa que me vai custar largar é este berço onde repouso. Imagino as lágrimas que me cairão quando olhar para este berço pela ultima vez, quando o abandonar, pois lembrar-me-ei de tudo o que aqui vivi. Quero que leves contigo o que aqui te ensino pois será aqui que vamos aprender a crescer como um só. Que a chuva lave o que mau se passou.


Guarda o que daqui levas,
pois eu,
meu amor,
aqui te Guardo.

Monday, 1 February 2010

Dados

Gostava de te olhar nos olhos e conseguir seriamente ler o que por ai vai, sem ter que me justificar e sem ter que "bater à porta" antes de entrar. Gostava de saber o que sentes e o que pensas quando te rejeito, e quando te mando embora. Quando te digo coisas feias e te faço ficar irritado. Gostava de perceber seriamente quem tu és quando eu te deixo realmente fulo. Sem máscaras e sem esconder verdadeiramente quem és. Quer queiras quer não, todos nos escondemos e todos nos controlamos para não sairmos dos carris e para não fazermos má figurante perante o outro. Não és diferente...pois não és mesmo, nem tu nem eu. Revela-te, mostra-me o teu verdadeiro sim, nos momentos bons e maus. Eu preciso saber realmente quem tu és.

- Queres mesmo entrar nesse jogo ?
- É claro que quero, preciso mesmo descobrir-te para te deixar entrar.
- Prometo que vou fazer tudo por tudo para não me controlar, e com o tempo vais descobrir um novo eu!
- Prometes ?
- Está prometido, mas depois não digas que não te avisei que o jogo era perigoso!
- Estou disposta a arriscar!
- Lanças tu os dados ou lanço eu ?
- Tu!
- Estão lançados!

Sunday, 31 January 2010

Caixa de Segredos

Eu tenho uma caixa de segredo
onde lá escondo os meus medos
Enterro-os um a um
para que não conheças nenhum

São segredos mentirosos
que de mim já nao fazem parte
são segredos manhosos
não queiras conheçer nem metade

Fazem parte da minha outra metade
Esses segredos sem maldade
metade essa que não conheçes
metade essa da qual não fazes parte

São segredos meus
conhecedores dos meus receios
pode ser que eu um dia a ti os conte
talvez durante um dos nossos passeios?

"Cartas a um jovem filósofo"

"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."



Agostinho da Silva, "Cartas a um jovem filósofo"

Thursday, 28 January 2010

Sunday, 24 January 2010

Um verdadeiro reencontro...

Se todos os dias fossem como este eu estaria sempre feliz. Sabem que o melhor da saudade é a hora do reencontro (e as saudades que eu tinha ainda nao as matei todas). Não foi sonhado, não foi planeado, foi autêntico, puro, genuíno, virgem... Os teus lábios finalmente tocaram nos meus (depois de dias em que foram trincados por sentirem a tua falta), os meus braços envolveram-te num caloroso, inesperado abraço. Um reencontro. Mais puro e real do que os contos de fadas, a sensação de ter a tua mão colada á minha. Tudo voltou ao sitio certo, eu a ti, tu a mim, nós em casa. Penso como seria bom se todos os dias fossem como o reencontro de hoje, foi simples e secalhar a essência que eu senti foi a que veio da pureza, a pureza que tu transportas num olhar, a simplicidade de um sorriso que eu tanto recordava. O que eu mais amo em nós é o facto de sermos nós, cada um com a sua personalidade. cada um vincando-a á sua maneira, mas em nós encontro um futuro comentado com alguma "projecção futura" (ainda tenho a lista no meu caderno de capa azul).

Porque o melhor não foi a praia, não foi o passeio...


(O ouvir de novo e sentir o verdadeiro OLÁ beibi acompanhado pelas minhas gargalhadas parvas, o teu sorriso espontâneo e "o" beijinho)


a tua, beibi

Wednesday, 20 January 2010

Perdi-me

Perdi-me. Do nada, perdi-me. Não me encontro, nao encontro nada nem ninguém. Perdi o meu equilibrio nao sei o que se passa, nao encontro o meu estado "zen" nao sinto paz de espirito só sinto revolta por muitas coisas que aconteçem ao mesmo tempo. Quando me tento agarrar, para alguém me puxar para cima, faço demasiada força e caio ainda mais fundo. Não conheço os meus limites e muito menos conheço os teus. Olho á minha volta e o branco das paredes pálidas nao ajudam, nao me elucidam. Nao tenho onde ir buscar a minha criatividade a minha mente está sombria e vazia. Sinto-me um mergulhador nato, que um dia nao consegue vir ao de cima e ai fica a conheçer a sensação de sufoco, de ter o fim tão perto que quase o cheira. Nao quero protecções, nao quero tristeza, só procuro enterrar os ultimos dias e dizer que só quero paz e sossego. Para ti e para mim. Tudo acaba bem quando começa bem, e tudo passará, tenho esperança que sim.