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"Aprende-se a escrever, lendo. E também é necessária uma grande humildade face ao material da escrita. É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros."
António Lobo Antunes

Wednesday, 21 May 2008

Queres-me?

Finge. Finge tudo o que quiseres menos comigo. Mente, mente como se não houvesse verdade, mas a mim não. Adormeço e assusto-me, pois já não sonho, pesadelo. Pesadelo-te. Porque cais cada vez mais na tua mentira, enterras-te vivo, e já não sabes distinguir a verdade da realidade, a mentira do imaginário. A tua profundidade oca enjoa-me. Cansas-me a beleza, violas-me a liberdade. Não quero ser-te nada, quero ser-te um nada que um dia foi tudo. Quero sugar-te a alma, como me fizeste a mim. Vive, vive a tua mentira e vive a mentira dos outros. Deixa-te levar pela mentira dos outros, haverás de cair e ninguém te amparará, porque eu também me canso. Quero-te. Amo-te tanto e odeio-te. Turbilhao de sentimentos provocados pela tua presença inconstante que me cansa a alma, acorda e olha á tua volta e diz-me se valerá a pena o que fazes, o que dizes. Ou tudo isso valerá pelo medo que tens de seres verdadeiro? Cria a tua personalidade, nao te tornes alguém que é o que os outros querem que seja. Olha-te ao espelho, vê o teu reflexo e diz-me o que vês. Eu amei o que eras, o que eu dizia e penso ser o teu verdadeiro eu. Há visões que valem mais que mil palavras, olha-te e verás.


Queres-me?

Demonstra-mo.
Nao me apunhales novamente.


Ou sim ou nao.

1 comment:

monik said...

Creio que o meu post também se adequa a si..*

beijinho e sim ou sim ou não..há que fazer escolhas ;)*